Tuesday, April 8, 2014

Porque é que gosto de ti?


Perguntas-me com um sorriso no canto da orelha... sim, porque o canto da boca é para todas... e tu és especial. Estás no patamar das musas, das sereias que só existem nos filmes de banda desenhada e nos contos de fadas. E as fadas cantam. E eu canto-te por dentro. Canto-te quando não me ouves. Canto-te e espanto-me com o quanto consigo ser afinada na tua ausência... porque quando estou contigo toda eu sou borboleta , que agita as asas de alegria por te ver. Alegria pelo toque subtil da tua mão esquerda a deslisar sobre a minha mão direita. Alegria pelo sentir o teu perfume (que não é perfume) de uma pele agri-doce, que me enche os pulmões de adrenalina e não quero por nada expirar, e não quero por nada largar. Quero-te guardar. Quero-te guardar no meu bolso direito, como o amuleto que trago sempre comigo e que sinto sem que o tenha de sentir. É isso! Quero-te sentir sem que te tenha de sentir.

Porque é que gosto de ti?

Porque te sinto e pressinto o quanto não sinto quando não estás. Quanto não estás, nada está. O cor de laranja passa a cinzento, e o cinzento a castanho e o castanho a preto e.... e eu não gosto de cores escuras. Gosto de cores fortes como o encarnado dos teus lábios que insistes em hidratar com aquele baton do cieiro que é um desperdiçar de tempo e dinheiro.. sim, porque a saliva também hidrata e a minha saliva gosta da tua. Gosta tanto que com os teus beijos voa até à lua, cruza-se com a ursa menor, com cometas, com neptunos e anéis de saturnos!

Porque é que gosto de ti?

Porque tenho medo de me entregar e quando não gosto como os adultos gostam, não tenho. Porque tenho medo dos transeuntes a quem chamas piranhas com as suas manhas. Porque quero e não te quero por tanto te querer. Porque te mostro uma migalha de quem sou, não quero que percas a magia e a incógnita de quem está por detrás de uma base opaca, de um rímel volumoso, de um corrector de olheiras para as horas não dormidas (por tua “culpa” ), de um lápis preto ou azul que insisto em alterar de acordo com a roupa com que vou andar. Mas passo a passo, vou mostrando-me, vou mostrando-te. Vou pondo “nos” mesmo sabendo que não é a tua praia. E por falar em praia, gosto de ti na praia.

Porque é que gosto de ti?

Gosto do tom branco-neve da tua pele, gosto da força e tamanho das tuas pernas, da gentileza das tuas unhas, do vermelho radiante do teu cabelo, do rasgado dos teus olhos a meia haste, das marcas tatuadas na tua cara, da firmeza das tuas costas, do calor que o teu corpo emana e que eu sinto, mesmo quando a uns largos decímetros de ti.

Porque é que gosto de ti?

Ah que pergunta mais eclética... esse teu jeito tímido de ser, esse teu querer poder, esse teu querer-me e não querer-me, esse teu discurso de menina a crescer num corpo de mulher. A tua voz delicada com uma força que me baralha e um discurso que oscila entre sonho e realidade. 

Se é sonho, quero sonhar.

Porque é que gosto de ti?
Porque tanto.

Sabes, gosto de ti porque tanto. “ E serei a, se quiseres “.

E eu quero.

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