Wednesday, November 12, 2008

arrepio


A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te

E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da provocação. É assim que te faço arder triunfalmenteonde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços
Experimento um grito

Contra o teu silêncio

Experimento um silêncio
Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos

Assobio às pequenas esperanças
Que vêm lamber-me os dedos

Perco-me no teu retrato
Horas seguidas
E ao trote do ciúme deito contas

Deito contas à vida.

Alexandre O'Neill

1 comment:

Anonymous said...

...é assim como me sinto
qd a saudade aperta e me vens ao pensamento
lindo poema!
:)