Tuesday, April 8, 2014

Sereia se quiseres, de João Negreiros

Porque é que gosto de ti?


Perguntas-me com um sorriso no canto da orelha... sim, porque o canto da boca é para todas... e tu és especial. Estás no patamar das musas, das sereias que só existem nos filmes de banda desenhada e nos contos de fadas. E as fadas cantam. E eu canto-te por dentro. Canto-te quando não me ouves. Canto-te e espanto-me com o quanto consigo ser afinada na tua ausência... porque quando estou contigo toda eu sou borboleta , que agita as asas de alegria por te ver. Alegria pelo toque subtil da tua mão esquerda a deslisar sobre a minha mão direita. Alegria pelo sentir o teu perfume (que não é perfume) de uma pele agri-doce, que me enche os pulmões de adrenalina e não quero por nada expirar, e não quero por nada largar. Quero-te guardar. Quero-te guardar no meu bolso direito, como o amuleto que trago sempre comigo e que sinto sem que o tenha de sentir. É isso! Quero-te sentir sem que te tenha de sentir.

Porque é que gosto de ti?

Porque te sinto e pressinto o quanto não sinto quando não estás. Quanto não estás, nada está. O cor de laranja passa a cinzento, e o cinzento a castanho e o castanho a preto e.... e eu não gosto de cores escuras. Gosto de cores fortes como o encarnado dos teus lábios que insistes em hidratar com aquele baton do cieiro que é um desperdiçar de tempo e dinheiro.. sim, porque a saliva também hidrata e a minha saliva gosta da tua. Gosta tanto que com os teus beijos voa até à lua, cruza-se com a ursa menor, com cometas, com neptunos e anéis de saturnos!

Porque é que gosto de ti?

Porque tenho medo de me entregar e quando não gosto como os adultos gostam, não tenho. Porque tenho medo dos transeuntes a quem chamas piranhas com as suas manhas. Porque quero e não te quero por tanto te querer. Porque te mostro uma migalha de quem sou, não quero que percas a magia e a incógnita de quem está por detrás de uma base opaca, de um rímel volumoso, de um corrector de olheiras para as horas não dormidas (por tua “culpa” ), de um lápis preto ou azul que insisto em alterar de acordo com a roupa com que vou andar. Mas passo a passo, vou mostrando-me, vou mostrando-te. Vou pondo “nos” mesmo sabendo que não é a tua praia. E por falar em praia, gosto de ti na praia.

Porque é que gosto de ti?

Gosto do tom branco-neve da tua pele, gosto da força e tamanho das tuas pernas, da gentileza das tuas unhas, do vermelho radiante do teu cabelo, do rasgado dos teus olhos a meia haste, das marcas tatuadas na tua cara, da firmeza das tuas costas, do calor que o teu corpo emana e que eu sinto, mesmo quando a uns largos decímetros de ti.

Porque é que gosto de ti?

Ah que pergunta mais eclética... esse teu jeito tímido de ser, esse teu querer poder, esse teu querer-me e não querer-me, esse teu discurso de menina a crescer num corpo de mulher. A tua voz delicada com uma força que me baralha e um discurso que oscila entre sonho e realidade. 

Se é sonho, quero sonhar.

Porque é que gosto de ti?
Porque tanto.

Sabes, gosto de ti porque tanto. “ E serei a, se quiseres “.

E eu quero.

Cafutra

Casemo-nos!

Porque sim e porque não e porque não quero viver nem mais um único segundo sem ti.
Bem sei que o papel nada dita, senão para que foram escritas todas aquelas cartas, benditas, que insisto em guardar e reler vezes sem conta, e chorar e reler sem que me dê conta… que nada dizem porque disseram outrora e não agora?

Foge!

Na rejeição que tenho sentido, contigo, comigo, perigo, mendigo uma esperança já há muito e por outros morta (não por mim…). Não quero ficar mas não me deixas contigo ir.
Não avanço, esqueço-me e aqui fico.
Foge utopia. Vai-te retro, foge e não me apareças mais hoje. Só por hoje.

Transforma-te!

Em algo que ainda não vi, quer-me perto de ti, sente-me como até aqui senti, sem ti, senti, sem ti, senti que não quero sentir o que sinto sem ti.

Transforma-te e sente o que eu sem ti, senti.



Wednesday, March 26, 2014

Tal como tu, nem eu sei....

Mas afinal...qual é mesmo a diferença que tem a Portugal?

Demorei 9 meses a nascer, tal como tu comecei logo a crescer!
Passei pela fase do chorar, berrar, aprender a andar, falar, comer, querer , querer ser, fazer-me ser, fazer-me ouvir e até para o mundo dos adultos querer subir!
Tal como tu, aprendi a ler e hoje, gosto de ler, de escrever, de cantar, de desafinar, de tocar ou guitarrar, de divagar sem muito pensar e de deixar-me levar por pensamentos envolventes em correntes do verbo amar.. tão próximo do odiar.

Sim, tal como tu, já odiei, já amei, já detestei, já sofri e por amor chorei.
Se gosto de chorar? Não gosto..mas tal como tu, quando as palavras já não alcançam o que a alma quer contar as lágrimas encarregam-se de o espelhar.

Tal como tu, roubei pastilhas no Café do Aires, comi o corneto com a bolacha já meio mole e fiquei piurça pelos 100 paus que lá deixei e a gula que comigo levei.
Sim, tal como tu e tu e tu e tu..... gosto de viajar mesmo sem um puto duro no bolso e o dedo ter de levantar, para uma boleia cravar a um qualquer camião que pela estrada passar e ficar a rezar para ao destino traçado chegar sem com um rebarbado a babar perante uma mini saia que eu nunca vou levar...

Como tu... tenho pai, tenho mãe, irmão, um cão, pó no quarto, livros empilhados em fila de espera para serem lidos, restos de comida no frigorífico para serem comidos, também um carro a cair mas para a voltinhas dá para bem ir.. já me droguei e já isso deixei, já bebi e também esse hábito perdi...
Tal como tu... vou votar ainda que sem muita paciência para ver a merda que vai dar.
Mas... ao contrario de ti... foi preciso um referendo, a decisão de um presidente ainda que contrariado, para me darem a opção de casar.... adoptar? Nem pensar não se vá isso pegar!

Ao contrario de ti, minto para não me chatear, finjo para não ter que tudo explicar.. para ter trabalho mais vale ocultar não vao pensar que com qualquer colega me vou quer "liar"....
Tal como tu ou ao contrario de ti?

Mas que porra, há assim tanta diferença em ser gay?

Tal como tu, nem eu sei....

MP


Tuesday, March 25, 2014

Venha a poesia

E agora sim, vamos continuar.
Porque não vale parar, não vale olhar para trás, não vale, não vale, não vale.

Vale tudo, excepto a menos valia.
Vale tudo se vier com alegria.
E assim e portanto, de agora em outro tanto, venha a poesia, venha a rebeldia, mas venha, com muita fantasia!


Thursday, June 7, 2012

Mais uma vez


Mais uma vez o gato maltês fez-me tropeçar de vez.
Quem diria que um dia tudo o de outrora voltaria agora. O corpo a aquecer, com álcool a ferver em terras a tremer.
A tremer? Sim, a tremer, estavam os joelhos e os pés que escorregavam de lés a lés.
Muita asneira, muita peneira, muito mal agrado e veneno enfeitiçado.

Uma relação sem ponta por onde se lhe pegue! Ainda que o coração o negue..... há coisas impossíveis de manter , coisas essas que me fizeram enlouquecer, esquecer, morrer, o que tão dificilmente aprendi e... em 4 ou 9 minutos esqueci.

Malas feitas, casa deixada, novas colheitas em terra de chuvada.

Indo eu, indo eu, a caminho de um novo tino.

Levo comigo uma foto, um lápis, roupa quanto baste.... ai meu amor, se bastasse.

Monday, May 14, 2012

Novos tempos


" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades " ...


Quando o tempo por si só não espelha o tal sonho lá, si, dó, muda-se o rumo, mudam-se os caminhos. Tudo parecia tão normal, tudo tão politicamente igual, que explodiu a bomba e novos mundos despertaram Portugal.

Portugal e além fronteiras, fizeram algumas asneiras ou será que foram côsas aventureiras?

Aventureiras, carneiras, ideias, maneiras, foleiras, brincadeiras e tantas outras cosas de outras beiras!

Algo por si só inacabado, mas muito já revelado, explorado, até devorado!

Já dizia o senhor doutor, entre por favor minha menina e.... dispa essa batina!